terça-feira, 14 de março de 2017

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres
Tira-me o ar, mas
Não me tires o teu riso

Não me tires a rosa
A flor de espiga que desfias,
A água que de súbito 
Jorra na tua alegria,
A repentina onda
De prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso 
Por vezes com os olhos
Cansados de terem visto
A terra que não muda
Mas quando o teu riso entra 
Sobe ao céu a minha procura
E abre-me todas
As portas da vida 

Meu amor, na hora
Mais obscura desfia 
O teu riso, e se de súbito
Vires que o meu sangue mancha 
As pedras da rua 
Ri, porq o teu riso será pas minhas mãos 
Como uma espada fresca

Perto do mar no outono 
Ó teu riso deve erguer 
A sua cascata de espuma 
E na primavera, amor,
Quero o teu riso como
A flor que eu esperava 
A flor azul, a rosa 
Da minha pátria sonora

Ri-te da noite,
Do dia, da lua,
Ri-te das ruas
Curvas da ilha 
Ri-te deste rapaz
Desajeitado que te ama 
Mas quando abro
Os olhos e os fecho 
Quando os meus passos se forem 
Quando os meus passos voltarem
Nega-me o pão, o ar,
A luz, a primavera 
Mas o teu riso nunca
Porque sem ele morreria 


Podia ter sido eu a escrever este poema ... Até porque ele retrata muito do penso e sinto... Mas foi Pablo Neruda...

No entanto... Escrevi-o pelas minhas mãos... Sem copy... Paste...
Escrito letra por letra
Palavra por palavra 

Amo-te 

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